O novo pacote de tarifas aduaneiras imposto pelos Estados Unidos à China está a gerar um clima de incerteza que pode ter impacto negativo nas previsões económicas globais para 2025.
As políticas comerciais altamente imprevisíveis da administração norte-americana estão a aumentar significativamente o risco económico a nível global. Apesar da suspensão de algumas tarifas recíprocas e da redução dos impostos iniciais aplicados à China, o impacto da guerra tarifária já se faz sentir nas projeções para o crescimento mundial, inflação e comércio.
Segundo um relatório da Crédito y Caución, as previsões de crescimento económico global foram revistas em baixa para 2,4% em 2025, uma queda de 0,6 pontos percentuais face à previsão de março, e 0,9 pontos abaixo das estimativas de janeiro deste ano.
As novas tarifas impostas por Washington fazem parte de um esforço para proteger a indústria norte-americana face à concorrência tecnológica da China. Esta decisão poderá provocar uma escalada nas tensões comerciais, com consequências a médio prazo, tanto para o comércio internacional como para as cadeias de abastecimento globais.
A atual tarifa efetiva dos EUA situa-se em torno de 15%, o nível mais elevado desde a Grande Depressão, bastante acima dos 2,4% registados no final de 2024. Entre as medidas em vigor mantêm-se:
- Uma tarifa universal de 10%
- Tarifas de 25% sobre automóveis
- Tarifas de 50% sobre aço e alumínio
- Tarifas de 25% sobre produtos do México e Canadá, fora dos critérios do USMCA
Impacto económico por região
Nos Estados Unidos, o crescimento previsto para 2025 é de 1,5%, menos 1,9 pontos percentuais do que as estimativas feitas em janeiro. Esta quebra deve-se sobretudo à retração no investimento empresarial, ao aumento da inflação e à diminuição da procura.
No México, a previsão de crescimento do PIB para 2025 é de 0%, refletindo o impacto direto das novas tarifas. Já no Canadá, espera-se uma contração semelhante, também por via da sua forte ligação comercial aos EUA.
Na Europa, o crescimento projetado é mais modesto, com 0,9% em 2025 e 2026, refletindo o impacto indireto das políticas comerciais e a desaceleração da procura externa.
A China, apesar de ser o principal alvo das tarifas, deverá manter um crescimento robusto de 4,3% em 2025, embora o ritmo das exportações abrande.
Setores mais afetados
O setor industrial enfrenta uma recessão técnica no segundo e terceiro trimestres de 2025, com destaque para a indústria transformadora, que antecipou produção no início do ano para evitar o impacto das novas tarifas.
Já a indústria automóvel, fortemente dependente do aço, será uma das mais penalizadas pelas tarifas de 50%, especialmente na importação de componentes e matérias-primas. Prevê-se que muitos investimentos fabris sejam cancelados ou adiados, resultando numa queda da produção de 2,7% face à previsão anterior de março.
A tensão comercial entre as duas maiores economias mundiais levanta dúvidas sobre a estabilidade do comércio internacional e sobre a evolução das principais previsões macroeconómicas para os próximos trimestres.
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