Segundo o mais recente Barómetro de Práticas de Pagamento elaborado pela Crédito y Caución, não existe uma tendência dominante clara: um terço das empresas afirma não ter visto mudanças relevantes nos prazos de cobrança, outro terço regista atrasos e prazos mais longos e o restante considera que houve melhorias na fiabilidade de pagamento dos seus clientes.
O comportamento de pagamento das empresas nos Estados Unidos apresenta sinais de grande fragmentação, refletindo um ambiente económico incerto e dinâmico. Esta dispersão revela um contexto heterogéneo em matéria de risco de pagamento, gerando desafios operacionais ao longo de toda a cadeia de fornecimento.
Aumento da venda a crédito e ajustamentos nas políticas de risco
Atualmente, quase metade das vendas B2B nos EUA são realizadas a crédito, com 70% das empresas a aumentar as ofertas de crédito comercial. Para preservar a liquidez num cenário de maior incerteza, a maioria dos fornecedores norte-americanos está a rever e ajustar as suas políticas de concessão de crédito.
Em termos de financiamento, o crédito bancário mantém-se como a principal fonte, utilizado por 68% das empresas, seguido pelo financiamento com faturas (57%), que tem vindo a ganhar relevância como ferramenta de apoio ao capital circulante.
Estratégias mistas de mitigação de risco
A gestão do risco de pagamento tem vindo a tornar-se mais estratégica. Cerca de 60% das empresas adotam abordagens mistas, combinando controlo interno com o recurso a instrumentos externos, como soluções especializadas de gestão de risco de crédito. Esta combinação reflete um esforço deliberado para reforçar a proteção do fluxo de caixa e assegurar maior estabilidade financeira num contexto de maior volatilidade.
Perspetivas: otimismo nas vendas, pressão nas margens
Apesar das incertezas, as empresas norte-americanas mostram-se otimistas quanto à evolução das vendas nos próximos 12 meses. Porém, este otimismo é acompanhado de receios claros: a redução das margens comerciais surge como uma das principais preocupações para o futuro próximo.
Diversos fatores contribuem para esta pressão:
- Exigências regulamentares crescentes, tanto em volume como em complexidade.
- Volatilidade económica e de mercado, que obriga as empresas a ajustarem constantemente os seus planos.
- Flutuações na procura e maior dificuldade de acesso a financiamento.
Num ambiente de custos crescentes e exigências operacionais mais rigorosas, as empresas enfrentam desafios acrescidos para manter competitividade e decidir sobre novos investimentos.
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