60% das empresas alemãs relatam uma deterioração no comportamento de pagamento dos seus clientes, com 57% das vendas a crédito B2B afetadas por faturas em atraso.
De acordo com o mais recente Barómetro de Práticas de Pagamento da Crédito y Caución, o ambiente financeiro para as empresas alemãs está a tornar-se cada vez mais desafiante. Este cenário está fortemente ligado a pressões económicas, restrições operacionais e problemas de liquidez, com 8% das faturas a registarem atrasos significativos no pagamento, um sinal claro de alerta para os próximos meses.
Vendas a crédito e pressões de tesouraria
Atualmente, 47% das vendas entre empresas na Alemanha são realizadas a crédito, com prazos médios de pagamento de 60 dias. Para aliviar a pressão crescente sobre o fluxo de caixa, muitas empresas estão a ajustar a sua gestão do capital circulante. Destaca-se o uso crescente do financiamento de faturas, com 43% das empresas a recorrer a esta solução para acelerar entradas de liquidez através de créditos pendentes.
Além disso, atrasos nos pagamentos aos fornecedores tornaram-se uma estratégia comum para mitigar os efeitos da pressão financeira.
Perspetivas para 2026: risco elevado de insolvências
Olhando para o futuro, 62% das empresas alemãs esperam um aumento das insolvências dos seus clientes até 2026. Este cenário de risco reforça a necessidade de manter uma gestão rigorosa e estável do fluxo de caixa.
Adicionalmente, as empresas antecipam uma agudização das condições de pagamento:
- Quase um terço das empresas prevê uma desaceleração nos processos de cobrança.
- A mesma proporção espera que os fornecedores exijam pagamentos mais rápidos, reduzindo prazos e agravando a pressão sobre a liquidez.
Este conjunto de fatores poderá gerar tensões financeiras significativas e contribuir para um ambiente B2B ainda mais instável.
Rentabilidade e gestão de risco sob pressão
No atual contexto de incerteza económica e disrupção no comércio internacional, as empresas alemãs mantêm uma postura cautelosa quanto à previsão de vendas e rentabilidade. Os custos de produção crescentes deverão continuar a pressionar as margens, dificultando a alocação eficaz de recursos e o planeamento da produção.
Perante estes desafios, 70% das empresas adotam uma abordagem combinada na gestão do risco de crédito, integrando provisões internas com o apoio de especialistas externos – uma estratégia que visa reforçar a resiliência num cenário volátil e de risco elevado.
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