As insolvências empresariais voltaram a aumentar nos primeiros três trimestres de 2025, contrariando as previsões de estabilização divulgadas pela Crédito y Caución no início do ano. A combinação de incerteza política e tensões comerciais está a gerar um crescimento económico mundial mais fraco, comprometendo a saúde financeira das empresas em vários mercados.
De acordo com os dados mais recentes, e com base na tendência registada entre janeiro e setembro, prevê-se que as insolvências globais aumentem 5% até ao final de 2025, antes de registarem uma queda de 3% em 2026, altura em que se espera que as empresas consigam adaptar-se ao novo contexto económico.
Evolução global das insolvências
Em 2024, as insolvências aumentaram de forma acentuada, registando uma subida homóloga de 19%. Embora inicialmente se antecipasse uma estabilização para 2025, os novos dados mostram que o número de processos de insolvência continua a crescer na maioria dos mercados, com particular destaque para Singapura e Brasil, onde o agravamento tem sido especialmente expressivo.
Europa: vários mercados em deterioração
Na Europa, a situação permanece frágil. A Alemanha destaca-se entre os dez países com pior desempenho, pressionada por procura fraca, custos operacionais crescentes e instabilidade política. O país atingiu, no primeiro semestre de 2025, o nível de insolvências mais elevado da última década.
A tendência ascendente é igualmente visível em mercados como Áustria, Finlândia, França, Irlanda e Suécia. Em Espanha, as insolvências seguem um padrão de subida contínua desde 2015. Para 2025, prevê-se um aumento adicional de 2%, seguido de estabilização em 2026.
No extremo oposto está Portugal, que surge como uma exceção positiva. O mercado português deverá registar uma diminuição de 8% nas insolvências em 2025, com uma nova queda, mais ligeira, de 1% em 2026, apoiada pela resiliência da atividade económica.
Ásia-Pacífico com projeções mais pessimistas
Na região da Ásia-Pacífico, as previsões são mais adversas. O incumprimento poderá aumentar até 7% em 2025, refletindo o impacto das tensões comerciais, da volatilidade cambial e da desaceleração de vários setores exportadores.
Incerteza tarifária condiciona empresas e famílias
Embora o novo regime tarifário internacional comece lentamente a estabilizar, persistem dúvidas sobre a evolução da guerra comercial. Até ao momento, a economia mundial tem demonstrado alguma resiliência, em parte devido ao adiantamento de compras e atividade económica por empresas e famílias, que antecipam tarifas mais elevadas.
As empresas, por sua vez, têm absorvido grande parte do impacto, aceitando margens de lucro mais baixas em vez de repercutirem os custos nos consumidores. Contudo, prevê-se que em 2026 o impacto negativo das tarifas seja mais evidente, sobretudo nos Estados Unidos.
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