O tecido empresarial do distrito de Braga registou uma evolução contraditória no último período analisado. Apesar do crescimento do volume de negócios e da manutenção da forte vocação exportadora, o número de insolvências aumentou significativamente, enquanto a criação de novas empresas abrandou.
Os dados mostram um distrito economicamente dinâmico, mas sujeito a uma pressão financeira crescente, que reforça a importância da gestão do risco de crédito e da monitorização da liquidez empresarial.
Insolvências aumentam e constituições diminuem
A dinâmica empresarial em Braga deteriorou-se face ao período anterior. As insolvências cresceram 40%, enquanto as constituições de empresas registaram uma quebra de 12%.
Esta evolução traduz um maior desequilíbrio entre entradas e saídas do mercado, refletindo um ambiente empresarial mais exigente, onde as empresas enfrentam maiores dificuldades para manter a sua sustentabilidade financeira.
Braga concentra a maior atividade empresarial do distrito
A distribuição geográfica das empresas evidencia uma forte concentração nos principais polos económicos:
- Braga – 27%
- Guimarães – 18%
- Vila Nova de Famalicão – 16%
- Barcelos – 13%
- Fafe – 5%
- Vila Verde – 5%
- Restantes concelhos – 16%
Esta distribuição demonstra o peso dos principais centros urbanos e industriais na economia do distrito.
Mais de um quarto das empresas apresenta risco elevado
Em termos de risco de crédito, o setor empresarial distribui-se da seguinte forma:
- 40% das empresas apresentam risco médio
- 33% apresentam risco baixo
- 26% encontram-se em risco elevado
- 1% apresentam risco máximo
Apesar de a maioria das empresas se concentrar entre os níveis baixo e médio de risco, a percentagem de empresas classificadas em risco elevado, aliada ao crescimento expressivo das insolvências, evidencia um contexto que exige maior acompanhamento da solvência dos parceiros comerciais.
Serviços e indústria lideram a atividade económica
O setor dos serviços representa a maior fatia da atividade económica do distrito, concentrando 41% das empresas. Seguem-se outros setores com 26%; a indústria e construção com 13%, respetivamente; o setor dos transportes concentra apenas 3%, e finanças e agricultura concentra 2% das empresas, cada uma.
A relevância da indústria continua a refletir a especialização histórica de Braga nas atividades transformadoras e exportadoras.
Apesar do contexto mais exigente, as empresas do distrito reforçaram ligeiramente a sua atividade internacional. A taxa de exportação passou de 34,0% para 34,1%, mantendo um peso superior a um terço do volume de negócios. Esta estabilidade confirma a forte orientação exportadora das empresas bracarenses.
O volume de negócios aumentou de 33.465 milhões de euros em 2023 para 34.590 milhões de euros em 2024, demonstrando crescimento da atividade económica.
Prazos financeiros continuam elevados
Os indicadores financeiros revelam uma evolução mista. O prazo médio de pagamento aumentou de 77 para 79 dias, mantendo-se entre os mais elevados.
Em sentido inverso, o prazo médio de recebimento melhorou de 74 para 71 dias, reduzindo parcialmente a diferença entre pagamentos e recebimentos e contribuindo para aliviar alguma pressão sobre a tesouraria.
Ainda assim, os prazos absolutos continuam elevados e exigem uma gestão financeira rigorosa.
Crescimento económico convive com maior pressão sobre o risco
Braga continua a destacar-se como um dos principais polos industriais e exportadores do país, evidenciando crescimento do volume de negócios e estabilidade da atividade internacional.
No entanto, o aumento de 40% das insolvências, a redução na constituição de novas empresas e a existência de 26% das empresas classificadas em risco elevado demonstram que o crescimento económico não elimina os desafios financeiros.


