O impacto do crédito malparado continua a ser uma das maiores ameaças à estabilidade financeira das empresas em Portugal.
Segundo o Estudo de Gestão do Risco de Crédito em Portugal, promovido pela Crédito y Caución e pela Iberinform, 70% das empresas portuguesas afirmam sofrer consequências negativas dos atrasos de pagamento nas suas demonstrações de resultados. Ainda mais preocupante, 11% admitem correr risco de encerramento devido ao aumento dos incumprimentos.
Atrasos de pagamento elevam custos e travam crescimento
Os atrasos nos pagamentos não afetam apenas a liquidez: geram uma cadeia de impactos negativos que se estende à operação e ao crescimento das empresas. Entre os principais efeitos identificados no estudo:
- 38% das empresas enfrentam custos financeiros mais elevados;
- 34% tiveram de abrandar a expansão comercial;
- 33% foram obrigadas a limitar novos investimentos;
- 29% sofreram perdas de receitas significativas.
Este ambiente cria pressões acrescidas sobretudo nas empresas de menor dimensão, que têm menor capacidade de absorver atrasos prolongados.
A matemática dura do incumprimento
O estudo destaca uma realidade frequentemente subestimada: em caso de incumprimento, a empresa perde o valor correspondente aos custos de produção do bem ou serviço vendido.
Quanto mais reduzida for a margem de lucro, maior é o impacto.
O exemplo é elucidativo: uma empresa com margem comercial de 10%, que sofra um incumprimento de 10.000 €, terá de gerar 100.000 € em novas vendas com clientes solventes para compensar os 9.000 € de custos de produção que não foram recuperados.
Num contexto de margens mais apertadas, influenciadas pelo aumento dos custos de produção e pela subida das taxas de juro, este tipo de perda torna-se ainda mais crítico.
A importância de uma gestão ativa do risco de crédito
Com o atual cenário económico, caracterizado por maior volatilidade e custos financeiros elevados, gerir adequadamente o risco de incumprimento deixou de ser apenas um processo administrativo. Tornou-se uma necessidade vital para manter a competitividade e garantir a continuidade operacional.
O estudo reforça que as empresas que adotam mecanismos de controlo e prevenção, como políticas internas de avaliação de crédito, limites de exposição ou ferramentas externas de apoio, conseguem mitigar parte das tensões de tesouraria e evitar perdas que podem comprometer o futuro do negócio.
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