A maior dificuldade no acesso ao financiamento bancário e a subida das taxas de juro estão a empurrar as empresas australianas para o financiamento entre fornecedores. Atualmente, 60% das transações B2B no país são já realizadas a crédito, uma tendência que aumenta a exposição ao risco de incumprimento.
O recurso ao crédito comercial entre empresas na Austrália registou um crescimento expressivo no último ano. Com seis em cada dez transações B2B a serem fechadas a crédito, aumenta também a exposição das empresas ao risco de não pagamento até à efetiva liquidação das faturas.
O endurecimento do acesso ao financiamento bancário e a escalada das taxas de juro nos últimos anos tornaram o endividamento mais oneroso, ajudando a explicar esta tendência ascendente no financiamento entre empresas. Contudo, apesar da forte disciplina de pagamento evidenciada nos últimos 12 meses, o sentimento das empresas para 2026 é claramente menos otimista.
Volatilidade global e cadeias de abastecimento sob pressão
As empresas australianas manifestam uma preocupação crescente com a volatilidade dos mercados globais e com a perturbação das principais rotas comerciais. Os prazos de entrega mais longos e a pressão sobre as cadeias de abastecimento poderão refletir-se diretamente no calendário de pagamentos dos clientes, comprometendo a previsibilidade do fluxo de caixa.
A esta pressão acresce a expetativa de uma nova subida dos custos de transporte e energia, que deverá reduzir a liquidez em vários setores. Perante este cenário, antecipa-se que muitas empresas optem por preservar caixa, reavaliar orçamentos e dar prioridade aos pagamentos a fornecedores considerados estratégicos.
Margens sob pressão e maior diferenciação entre empresas
O aumento dos custos energéticos, combinado com uma desaceleração nos pagamentos por parte dos clientes, terá um impacto direto na rentabilidade e nas margens de lucro, reduzindo o capital disponível para reinvestimento e crescimento. As taxas de juro elevadas funcionarão como um fator disruptivo adicional: encarecem o crédito, fazem subir os custos de financiamento e ampliam o fosso entre as empresas com uma sólida disciplina de fluxo de caixa e aquelas confrontadas com o aumento do custo dos fatores produtivos e a queda da procura.
Gestão do risco de crédito ganha centralidade
Neste contexto, a definição de uma estratégia robusta de gestão do risco de crédito assume um papel decisivo. Um controlo rigoroso do crédito concedido, uma faturação atempada e a monitorização constante do comportamento dos clientes são instrumentos essenciais para preservar o fluxo de caixa e garantir a estabilidade operacional.
Mais do que uma medida defensiva, esta abordagem permite às empresas estarem preparadas para responder com eficácia a um ambiente económico e empresarial em transformação acelerada, onde a capacidade de antecipar riscos pode marcar a diferença entre o crescimento sustentado e a erosão das margens.


