O setor da construção enfrenta um cenário de crescimento moderado e risco elevado em vários mercados europeus. De acordo com um relatório recente, o setor deverá crescer 2,3% a nível mundial em 2026, enquanto na Europa o crescimento previsto é de apenas 1,6%, impulsionado sobretudo pelo segmento residencial.
Apesar de estar relativamente protegido das tarifas dos EUA e da volatilidade do comércio global, devido à sua natureza interna e cadeias de abastecimento regionalizadas, o setor continua a enfrentar desafios estruturais significativos.
Custos elevados e falta de profissionais pressionam margens
Os principais fatores de risco identificados são:
- Escassez estrutural de mão-de-obra
- Preços elevados dos materiais
Na Zona Euro e no Reino Unido, os custos dos materiais permanecem superiores aos níveis históricos, enquanto a falta de trabalhadores qualificados continua a afetar prazos de execução e rentabilidade. Estes fatores têm impacto direto nas margens dos fabricantes e mantêm o risco de crédito corporativo elevado na maioria dos mercados europeus.
O subsetor residencial deverá beneficiar dos cortes nas taxas de juro aprovados pelo Banco Central Europeu, mas o contexto geral continua marcado por prudência e volatilidade.
França e Alemanha com insolvências elevadas
Entre os principais mercados europeus, a França destaca-se pela ausência de motores de crescimento robustos e pela instabilidade política, fatores que contribuem para a manutenção de níveis elevados de insolvências nos próximos meses.
Na Alemanha, o setor continua condicionado por um fraco crescimento económico. Entre janeiro e outubro de 2025, o número de insolvências aumentou 9,3% face ao período homólogo, mantendo-se o incumprimento em níveis elevados.
Itália e Reino Unido enfrentam fragilidades estruturais
Em Itália, o risco de crédito permanece elevado devido a:
- Procura flutuante
- Escassez de liquidez
- Relutância dos bancos na concessão de crédito
- Pagamentos prolongados
Estas fragilidades estruturais sustentam expetativas de manutenção do risco de insolvência em níveis elevados.
No Reino Unido, muitos novos projetos continuam a ser adiados devido a contratos antigos, problemas na cadeia de abastecimento, inflação dos preços e atrasos no licenciamento. Embora se antecipe alguma melhoria no risco de crédito nos próximos meses, as condições de mercado continuam desafiantes.
Risco elevado em vários mercados internacionais
Os países com maior nível de risco de crédito no setor da construção incluem Áustria, Dinamarca, França, Hungria, Suécia, Turquia, Reino Unido e Coreia do Sul.
Embora o setor não esteja diretamente exposto às novas tarifas comerciais, o impacto indireto da incerteza global tem reduzido o investimento em construção comercial em diversos países.
O setor da construção entra em 2026 com crescimento moderado e riscos persistentes. O aumento dos custos de produção, a escassez de mão-de-obra e a redução do investimento empresarial continuam a limitar a expansão da atividade, mantendo o risco de crédito elevado em vários mercados europeus e internacionais.


