A instabilidade provocada pela guerra no Irão está a afetar os mercados energéticos, o transporte marítimo, as cadeias de abastecimento e as decisões de investimento, criando um efeito dominó com impacto direto na economia mundial.
A escalada do conflito no Médio Oriente está a gerar efeitos que vão muito além da região. O Estreito de Ormuz voltou a assumir um papel central no comércio internacional, pressionando os preços da energia e aumentando os custos operacionais para empresas em diversos setores.
Crescimento económico mundial deverá abrandar em 2026
A análise prevê que o crescimento da economia global abrande para 2,4% em 2026, ficando abaixo da média registada no período pós-pandemia.
A evolução será distinta entre economias:
- Economias avançadas: crescimento em torno de 1,5%
- Mercados emergentes: crescimento de 3,7%, também abaixo da tendência histórica.
Entre os principais fatores apontados para esta desaceleração estão o aumento dos custos energéticos, as perturbações no transporte marítimo e o elevado nível de incerteza geopolítica.
As economias mais dependentes da importação de matérias-primas surgem entre as mais expostas aos efeitos deste cenário.
Inflação poderá atingir 4,8%
A pressão sobre os preços da energia deverá refletir-se também na inflação. A inflação global poderá atingir 4,8% em 2026, impulsionada sobretudo pelo encarecimento da energia, com impacto direto na indústria transformadora e nos transportes.
Este contexto poderá dificultar o processo de normalização da política monetária, levando os bancos centrais a manter uma postura prudente relativamente à descida das taxas de juro. Caso a inflação se revele mais persistente, não é excluído um novo endurecimento das condições monetárias.
Investimento adapta-se ao novo contexto geopolítico
A instabilidade no Médio Oriente está igualmente a influenciar as decisões de investimento.
Nos países do Golfo, observa-se uma aceleração dos investimentos em infraestruturas, rotas comerciais alternativas e capacidade estratégica, numa tentativa de reduzir a dependência de pontos críticos de passagem e reforçar a resiliência das cadeias logísticas.
Antes da escalada do conflito no Médio Oriente, países como os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Qatar estavam a investir fortemente para se posicionarem como polos globais de inteligência artificial. No entanto, os ataques recentes a centros de dados evidenciaram a crescente vulnerabilidade destas infraestruturas, que passaram a ser consideradas ativos estratégicos e críticos. Como consequência, o risco geopolítico assume agora um papel muito mais relevante nas decisões de investimento relacionadas com infraestruturas digitais.
Comércio internacional exposto às fragilidades logísticas
O conflito evidenciou igualmente a vulnerabilidade das cadeias globais de abastecimento. A perturbação das rotas marítimas afetou cerca de 2.000 navios, colocando em evidência a dependência do comércio internacional de alguns corredores estratégicos.
Em resposta, empresas e governos estão a acelerar iniciativas para diversificar rotas comerciais, reduzir dependências e redesenhar as redes logísticas, procurando aumentar a resiliência perante futuras crises.
Pressão sobre empresas deverá manter-se
A combinação entre crescimento económico mais lento, inflação elevada, custos energéticos superiores e perturbações nas cadeias de abastecimento cria um contexto mais desafiante para as empresas.
Este ambiente poderá traduzir-se num aumento de 3% das insolvências em 2026, refletindo a maior pressão sobre a liquidez, os custos de financiamento e a rentabilidade empresarial.
Para empresas que operam em mercados internacionais ou dependem de cadeias globais de fornecimento, a monitorização do risco de crédito e a gestão preventiva da exposição ao incumprimento tornam-se fatores essenciais para preservar a estabilidade financeira.


