Com o volume de negócios e as exportações relativamente estáveis, os dados indicam que apenas 19% das empresas fabricantes de produtos metálicos apresentam risco de incumprimento elevado ou máximo, o que significa que a maioria do setor mantém um nível de risco controlado.
Estrutura geográfica e antiguidade condicionam o perfil de risco
A atividade das empresas fabricantes de produtos metálicos encontra-se concentrada sobretudo nos principais centros urbanos, com destaque para Porto (18%), Aveiro (16%), Lisboa (12%), Leiria (12%) e Braga (12%). Nas regiões líderes do setor, o perfil de risco de crédito mantém-se alinhado com a média nacional, não se verificando diferenças significativas face ao comportamento global do mercado.
Para além da distribuição geográfica, a antiguidade empresarial assume um papel determinante na exposição ao risco. Cerca de 48% das empresas têm mais de 15 anos de atividade, enquanto 23% foram constituídas há menos de cinco anos.
Os dados mostram uma diferença clara no perfil de risco: empresas com menos de cinco anos apresentam maior incidência de risco elevado, enquanto as empresas com mais de 15 anos tendem a situar-se em níveis médios de risco, aproximando-se do baixo. Esta relação reforça a importância da maturidade e da experiência acumulada como fatores de estabilidade financeira no setor.
Estrutura empresarial dominada por micro e pequenas empresas
O setor é composto maioritariamente por empresas de menor dimensão:
- 96% são micro e pequenas empresas
- 4% são médias empresas
Apesar de menos de 1% serem empresas grandes, estas registam volumes de faturação semelhantes aos das pequenas e médias empresas, que concentram a maior parte do mercado em termos percentuais.
As microempresas, embora predominem em número, representam a menor fatia do volume total de vendas, não atingindo mil milhões de euros de faturação. As restantes dimensões empresariais apresentam valores pelo menos três vezes superiores.
Pressão nos prazos médios de pagamento
No plano da tesouraria, o setor evidencia um comportamento divergente entre pagamentos e recebimentos.
O prazo médio de pagamento aumentou, aproximando-se cada vez mais dos 100 dias, o que demonstra maior dificuldade em cumprir obrigações perante fornecedores.
Por outro lado, o prazo médio de recebimento tem vindo a diminuir gradualmente desde 2020, passando de 105 dias para 89 dias. Apesar da melhoria, trata-se ainda de um valor elevado, embora se observe um esforço crescente das empresas em acelerar a cobrança.
Esta diferença sugere que o setor continua a pagar mais tarde do que recebe, mantendo pressão sobre o capital circulante.
Volume de negócios e exportações mostram estabilidade
O volume de negócios registou uma ligeira redução de cerca de 13 milhões de euros, enquanto a taxa de exportação aumentou para 30,9%, representando uma melhoria de 0,2 pontos percentuais face a 2023.
No conjunto, estes indicadores revelam um cenário de relativa estabilidade entre períodos económicos, sem variações abruptas.
Apesar de quase um quinto das empresas apresentar risco elevado ou máximo, o setor mantém um perfil globalmente equilibrado. A antiguidade e a dimensão continuam a ser fatores determinantes na avaliação do risco de crédito, enquanto os prazos médios de pagamento permanecem um ponto de atenção.
Num setor com forte peso industrial e relevância nas cadeias de fornecimento, a monitorização contínua do risco e da gestão de tesouraria é essencial para preservar estabilidade financeira.


