As previsões para 2025 e 2026 revelam um cenário global desafiante, onde o risco de incumprimento empresarial continua elevado e há uma tendência de aumento das insolvências. Cerca de dois terços dos países – representando 69% do PIB mundial – deverão registar uma subida no número de insolvências.
Insolvências e Novas Empresas em Portugal
Os primeiros sete meses de 2025 trouxeram um sinal de alerta para o tecido empresarial português: as insolvências aumentaram 7,3%, face ao mesmo período de 2024, totalizando 2255 casos.
Este agravamento afeta diretamente a confiança nas relações comerciais e o risco de crédito entre empresas, especialmente em setores e regiões com maior fragilidade económica.
Distribuição Geográfica das Insolvências
A maior concentração de insolvências verifica-se nos distritos do Porto e Lisboa, que juntos representam quase metade dos casos registados. Braga surge como o terceiro distrito mais afetado, refletindo a densidade empresarial da região Norte.
Esta distribuição demonstra que as zonas com maior atividade económica e presença de PMEs são também as mais vulneráveis ao risco de incumprimento.
O risco não está apenas nas zonas tradicionalmente frágeis. As áreas economicamente mais ativas também estão expostas, sobretudo devido ao volume de operações e interdependência entre empresas.
Distribuição Setorial das Insolvências
Até ao final de julho, os setores com maior crescimento no número de insolvências foram as Telecomunicações (+100%), Agricultura, Caça e Pesca (+65%), Transportes (+40%) e Indústria Extrativa (+40%). Em sentido contrário, o setor da Eletricidade, Gás e Água registou a maior quebra, com uma redução de 83% face ao período homólogo.
Os setores com maior variação positiva são também aqueles mais sensíveis a atrasos de pagamento, sazonalidade, dependência de terceiros e flutuação de custos operacionais.
Queda na Constituição de Empresas
Em julho de 2025, registaram-se 3.615 novas empresas, menos 614 do que no mesmo mês de 2024: uma quebra homóloga de 15%.
Apesar do impacto ser mais moderado no acumulado do ano, a tendência mantém-se negativa: entre janeiro e julho foram constituídas 32.035 novas empresas, o que representa um recuo de 0,4% face ao mesmo período de 2024.
Esta desaceleração na criação de novas empresas, a par do aumento das insolvências, reforça a necessidade de avaliar riscos comerciais com maior rigor e proteger os contratos de fornecimento com garantias sólidas, como o seguro de crédito e o seguro de caução.
A diminuição da atividade empreendedora, conjugada com o aumento das insolvências, reduz a renovação natural do tecido empresarial, aumentando a exposição ao risco comercial.
Insolvências a nível Global
Segundo o estudo da Allianz Trade, as insolvências globais deverão aumentar 6% em 2025, após um crescimento de 10% em 2024, seguidas de um recuo projetado de 3% em 2026, resultando, assim, em cinco anos consecutivos de aumento das insolvências.
Previsões em destaque para 2025
- Estados Unidos: +11% (após +20% em 2024)
- China: +10%
- Itália: +17%
- Brasil: +13%
- Alemanha: +10%
- Turquia: +20%
- Rússia: +24%
A subida global será particularmente impulsionada por:
- América do Norte: +9% em 2025 e +5% em 2026, com destaque para os EUA
- Ásia: +5% em 2025 e +6% em 2026, especialmente devido à China
- Europa Ocidental: +3% em 2025, o quarto ano consecutivo de crescimento
Por outro lado, os países nórdicos, Canadá, Japão, Austrália e Reino Unido, irão ver uma redução das insolvências em 2025.
Nos próximos dois anos, o panorama global das insolvências empresariais continuará a ser marcado por elevados níveis de instabilidade, refletindo o impacto prolongado das tensões económicas, do aumento dos custos de financiamento e da pressão nas cadeias de fornecimento.
É essencial que as empresas adotem mecanismos de proteção contratual e financeira, como:
- Seguro de Crédito: proteção contra o incumprimento de clientes, apoio à decisão comercial e recuperação de dívidas.
- Seguro de Caução: garantia do cumprimento de obrigações perante entidades públicas ou privadas, libertando liquidez e facilitando novos contratos.
Além disso, é fundamental investir em:
- Sistemas de análise de risco e monitorização da carteira de clientes
- Avaliação criteriosa de novos contratos
- Planeamento de tesouraria com cenários de stress
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